"Quem escreve constrói um castelo, e quem lê passa a habitá-lo." Silvana Duboc
sábado, 11 de setembro de 2010
Um Outro Mundo
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Infidelidade -
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Iluminado
Eu amo o sol. O admiro pela sua potência e força. Pelo seu calor. Não gosto do frio. Frio para mim é sinônimo de noite, escuridão. Dias sem sol me deixam depressiva, sem forças. Dias de sol iluminam de fato, minha vida. Não apenas o exterior, mas meu interior se felicita pela beleza da luz vibrante e quente. segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Desventura.

Um tremor invadiu seu corpo, percorrendo a espinha e se espelhando por todos os lados. Levantou-se em um sobressalto, assustada, com os olhos semi-serrados percorrendo cuidadosamente o ambiente ao seu redor. No mesmo instante sentiu uma dor lancinante no lado esquerdo do abdômen. Contraiu-se com a dor e uma sensação de medo e confusão se apoderou de sua face, até finalmente seu cérebro assimilar o lugar e relembrar onde estava, dando lugar a uma expressão cética e um olhar vago ao seu rosto. Então, ela estava no bosque, rodeada por árvores altas, e havia passado a noite ao pé de uma delas. Foi real. Realmente foi, não havia sido um sonho. Tentando manter suas emoções abafadas, ignorando-as, sentou-se calmamente sobre a raiz exposta da árvore em que dormira. Encostou lentamente as costas na madeira úmida e coberta de musgo, enquanto pressionava o lugar da dor com as duas mãos. Seus olhos fitavam o horizonte, mas sem de fato enxergar algo. Queria manter aqueles pensamentos afastados, mas quanto mais tentava, mais eles pareciam criar força em sua mente. Pensou em como era irônico não conseguir controlar a própria mente. O pensamento de que sua mente tinha vida própria, a fez sorrir fracamente. Um sorriso sem vontade, e que não alcançou de maneira alguma seus olhos. Isso lhe ocorreu no momento também, talvez jamais conseguisse sorrir de verdade outra vez.Sentiu vontade de se levantar, percorrer o bosque em busca de uma saída. Mas tal como veio esse pensamento, se diluiu na mesma hora. De que adiantaria? Estava sozinha. E dessa vez, era definitivo. Talvez pudesse ficar ali para sempre, apenas observando o mundo de vida que continuava a sua volta, parecendo imune ou indiferente a ela. Ouvia o canto dos pássaros, e vez ou outra roedores corriam de uma árvore a outra. Deparou-se com um esquilo que de repente pareceu fita-la ao longe, com as patas na altura da boca, segurando algo que roia insistentemente. Finalmente pareceu cansar-se do que via e correu para a segurança do alto de uma árvore.Assistindo a isso até parecia que o mundo era outro. Que podia ser um lugar tranqüilo e aconchegante. Mas então se conformou pensando consigo mesma que os animais eram irracionais, portanto viviam num mundo à parte. Longe dos horrores da realidade. Subitamente sentiu-se mais cansada. Sentia frio e vontade de dormir. Sabia o que isso significava, mas não tinha mais forças para lutar contra isso. Era mais forte que ela, e ela se sentia exausta. Procurou pelo esquilo uma ultima vez, mas não o encontrou. Suspirou profundamente e fechou lentamente seus olhos que pareciam extremamente pesados. Cedeu ao cansaço. E fechou os olhos pela ultima vez em sua vida, sentindo-se acolhida pela pureza da vida ao seu redor.
sábado, 4 de setembro de 2010
A chuva
Eu olho para fora. Pela janela do meu quarto. E tudo o que vejo é a chuva descendo calmamente. Não há nada que possa impedi-la de cair sobre a terra. Ela é limpa e fria. É como uma benção refrescando o solo arenoso. Purificando. E por um instante eu sinto inveja daquela chuva. Porque ela é livre, e transparente. Ela não tem medo de se mostrar. Encara os obstáculos – não importando quais sejam – porque ela tem um alvo a alcançar.
Eu a vejo caindo sem medo, e se desmanchando contra as pedras. Ela não tem medo da queda. Ou do baque que levará ao bater nelas. Não! E sabe porque? Porque ela sabe que isso é necessário, que as vezes a dor é necessária, para então chegar até a terra fofa. Para finalmente lavá-la de toda a impureza e cumprir seu papel.
A admiro por saber a intensidade com que sua presença é necessária. Algumas vezes desce com suaves gotículas, pois é dispensável mais que isso. Já em outras, desce mais impetuosa, mais forte, acompanhada de raios e trovões. Afinal ela sabe que às vezes até mesmo o céu necessita ser lavado.
E assim ela prossegue fazendo seu trabalho. Purificando tudo ao seu redor. Não se importando com a dor que isso possa lhe causar. Não deixando que alguns obstáculos possam impedi-la. Ela continua firme, independente do que aconteça. Independente dos gritos ao seu redor para parar de cair incessantemente. Ela sabe a proporção certa. Ela tem seu propósito embora muitos desconheçam. E ela não irá desistir, porque ela sabe que no final, chamarão por ela novamente. Ela acredita que no fim, sempre vale a pena!
