"Quem escreve constrói um castelo, e quem lê passa a habitá-lo." Silvana Duboc


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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Iluminado


Porque à noite tudo é mais difícil? É à noite que surgem as inseguranças, os medos, a tristeza, a solidão. Durante o dia tudo é mais fácil, nos sentimos mais confiantes, pensamos que o que sentimos com o escuro foi tolice. Tudo parece distante e irreal. Mas basta chegar novamente a noite para tudo voltar, e então não achamos mais tolice.
Acho que isso prova que somos seres da luz. A luz é reconfortante, é revigorante. Enquanto a noite revela o lado mais sombrio da existência.
Eu amo o sol. O admiro pela sua potência e força. Pelo seu calor. Não gosto do frio. Frio para mim é sinônimo de noite, escuridão. Dias sem sol me deixam depressiva, sem forças. Dias de sol iluminam de fato, minha vida. Não apenas o exterior, mas meu interior se felicita pela beleza da luz vibrante e quente.
A luz é sinônimo de vida. A escuridão, de morte. E eu amo a vida, logo necessito da luz. Pois ela mostra a beleza a nossa volta. A escuridão esconde o belo, distorce as formas, camufla o perigo.
Há quem goste da noite. Há quem goste da luz. Acho que quem gosta da penumbra talvez já tenha sido tomado por ela. Ou talvez, aprecie o desconhecido, o risco. Eu prefiro a clareza, a beleza declarada, as coisas como são – sem as distorções da noite.
Enfim, eu prefiro o Sol. E quando não resta alternativa a não ser passar pelo breu da noite, eu prefiro incansavelmente, a luz calma e abafada da Lua. Pois a luz da Lua é o reflexo do Sol, e a esperança da volta dele. De um novo dia iluminado.



sábado, 4 de setembro de 2010

A chuva


Eu olho para fora. Pela janela do meu quarto. E tudo o que vejo é a chuva descendo calmamente. Não há nada que possa impedi-la de cair sobre a terra. Ela é limpa e fria. É como uma benção refrescando o solo arenoso. Purificando. E por um instante eu sinto inveja daquela chuva. Porque ela é livre, e transparente. Ela não tem medo de se mostrar. Encara os obstáculos – não importando quais sejam – porque ela tem um alvo a alcançar.

Eu a vejo caindo sem medo, e se desmanchando contra as pedras. Ela não tem medo da queda. Ou do baque que levará ao bater nelas. Não! E sabe porque? Porque ela sabe que isso é necessário, que as vezes a dor é necessária, para então chegar até a terra fofa. Para finalmente lavá-la de toda a impureza e cumprir seu papel.

A admiro por saber a intensidade com que sua presença é necessária. Algumas vezes desce com suaves gotículas, pois é dispensável mais que isso. Já em outras, desce mais impetuosa, mais forte, acompanhada de raios e trovões. Afinal ela sabe que às vezes até mesmo o céu necessita ser lavado.

E assim ela prossegue fazendo seu trabalho. Purificando tudo ao seu redor. Não se importando com a dor que isso possa lhe causar. Não deixando que alguns obstáculos possam impedi-la. Ela continua firme, independente do que aconteça. Independente dos gritos ao seu redor para parar de cair incessantemente. Ela sabe a proporção certa. Ela tem seu propósito embora muitos desconheçam. E ela não irá desistir, porque ela sabe que no final, chamarão por ela novamente. Ela acredita que no fim, sempre vale a pena!